A tarifa básica cobra o trecho. O resto é geometria: distância da porta dianteira (boarding rápido), proximidade da saída de emergência (mais espaço para perna), proximidade dos lavatórios (barulho e fluxo), janela versus corredor versus meio. Cada uma dessas variáveis vira (R$).
Abaixo está uma cabine no estilo Airbus A320 (32 fileiras em 3-3), com fileiras vazias representando saídas de emergência. Cada assento está pintado pelo preço estimado (modelo simples, didático). Use Faixas para ver categorias discretas ou Mapa de calor para uma escala contínua (azul mais barato, vermelho mais caro). Passe o mouse ou toque para ver detalhes.
Como o modelo calcula
Base R$ 350 sobre um trecho doméstico de exemplo. A posição soma ou subtrai:
- Janela (A, F): +R$ 35 (vista, controle da persiana, parede para encostar)
- Corredor (C, D): +R$ 25 (saída fácil, ir ao banheiro sem incomodar)
- Meio (B, E): +R$ 0 (referência)
- Front of cabin (fileiras 1-4): +R$ 15 a +R$ 60 (boarding e desembarque mais rápidos)
- Saída de emergência (fileira imediatamente anterior à vazia): +R$ 80 (legroom)
- Últimas 3 fileiras: -R$ 30 (barulho e fluxo do lavatório de trás)
- Bulkhead (fileira 1): +R$ 50 (parede frontal, mais espaço para as pernas)
É um modelo didático, não uma planilha de revenue management. Em casos reais, companhias aplicam essa lógica como sobretaxa opcional ("escolher assento") em cima do preço da passagem; o efeito direcional é o mesmo.
Referências
Os efeitos descritos acima (janela vs. corredor, fileira de saída, front of cabin, proximidade de lavatório, dynamic pricing, unbundling de tarifas) aparecem na literatura acadêmica de revenue management e economia da aviação. As referências abaixo são pontos de partida.
- Belobaba, P. P. (1989). Application of a probabilistic decision model to airline seat inventory control. Operations Research, 37(2), 183-197. Modelo seminal de controle de inventário de assentos. Base para entender por que assentos do mesmo voo têm preços diferentes.
- Smith, B. C., Leimkuhler, J. F., & Darrow, R. M. (1992). Yield management at American Airlines. Interfaces, 22(1), 8-31. Caso clássico de aplicação de yield management (descreve como a American implementou segmentação fina de tarifas em uma mesma cabine).
- McGill, J. I., & van Ryzin, G. J. (1999). Revenue management: Research overview and prospects. Transportation Science, 33(2), 233-256. Survey amplo da literatura sobre como companhias aéreas precificam capacidade limitada (o framework por trás do modelo desta página).
- Talluri, K. T., & van Ryzin, G. J. (2004). The Theory and Practice of Revenue Management. Springer. Livro de referência sobre dynamic pricing, segmentação de demanda e controle de inventário em transporte aéreo.
- Borenstein, S. (1989). Hubs and high fares: dominance and market power in the U.S. airline industry. RAND Journal of Economics, 20(3), 344-365. Trabalho clássico sobre dispersão de tarifas em rotas (base para entender a heterogeneidade de preços observada hoje).
- Brueckner, J. K., Lee, D. N., Picard, P. M., & Singer, E. (2015). Product unbundling in the travel industry: The economics of airline bag fees. Journal of Economics & Management Strategy, 24(3), 457-484. Análise econômica do desmembramento (unbundling) de tarifas aéreas: exatamente a lógica que faz "escolher assento" virar uma sobretaxa separada do bilhete-base.
- Tuzovic, S., Simpson, M. C., Kuppelwieser, V. G., & Finsterwalder, J. (2014). From 'free' to fee: Acceptability of airline ancillary fees and the effects on customer behavior. Journal of Retailing and Consumer Services, 21(2), 98-107. Estudo empírico sobre como passageiros reagem a taxas auxiliares (incluindo escolha de assento) e quais perfis topam pagar.
- Warnock-Smith, D., O'Connell, J. F., & Maleki, M. (2017). An analysis of ongoing trends in airline ancillary revenues. Journal of Air Transport Management, 64, 42-54. Tendências recentes em receita auxiliar (extras pagos), incluindo seat selection: onde a indústria está indo, não onde estava.
Verifique citações antes de reusar academicamente (referências são reproduzidas aqui de memória institucional, não de banco de dados bibliográfico).